Neil Gaiman para crianças

Minha filha já é fã de Neil Gaiman desde que tinha seus dois aninhos, e nem foi por influência minha, primeiro ela se apaixonou pelo filme Coraline que descobriu sozinha na Netflix (acho que foi o filme mais visto por ela até hoje). Depois, em uma compra de livros do Gaiman para mim, descobri que ele também escrevia livros infantis e começamos a adquirir esses livros aos poucos.

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O primeiro foi o livro dele mais adequado para os pequerruchos mesmo, O dia de Chu é um livro super fofo indicado para crianças a partir de dois anos. Nesse livro Chu é um ursinho panda alérgico que provoca uma confusão quando espirra, seus pais tentam a todo custo evitar que ele espirre pois coisas ruins podem acontecer… A graça na contação da história é justamente a gente fazer o suspense se ele vai espirrar ou não, os pequenos adoram! 😀

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Em Menina iluminada Neil Gaiman colocou todo o seu potencial poético e substituiu o lado sombrio por pura iluminação. O livro é uma ode ao nascimento de uma menina, não uma menina específica, mas uma oração que todas as mães e pais podem fazer por suas filhas. A cada página a menina passa por uma fase de amadurecimento onde oramos junto ao livro, para que nossas filhas encontrem bons caminhos, onde possam crescer saudáveis, felizes e emponderadas também. As ilustrações são belíssimas e cada texto é uma poesia, a vontade que dá de é sair pendurando as páginas como pôsteres pela casa.

 

 

Nesse mês chegou o primeiro Box de livros da minha filha, ela claro se achou muito adulta com livros vindos dentro de um Box!!! Hahahhaha. Dentro dele tinha mais três livros do Gaiman, são eles:

Cabelo doido: Aqui as crianças vão adentrando aos poucos no mundo surreal de Neil Gaiman de modo divertido. O protagonista conversa com uma menina sobre o seu cabelo que, por ser muito grande e doido, desperta a curiosidade dela. A menina descobre que dentro de um cabelo atípico como o dele podia existir um mundo de possibilidades e fantasia onde ela pode viver aventuras com piratas, baús de tesouros, balões, música e muito mais.

O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados: Mais um livro em que somos introduzidos ao humor nonsense do autor. Aqui Gaiman cria uma história totalmente absurda e que nos surpreende ao se tornar possível. Uma aventura em que o protagonista resolve trocar seu pai por dois peixinhos do seu amigo. Quando a mãe chega em casa e lhe dá uma bronca o menino tem que passar por uma imensa rede de trocas para encontrar seu pai novamente. O interessante é que a cada troca conhecemos seus amigos e cada personagem é peculiar.

Os lobos dentro das paredes: Parece que foi o nosso preferido do box. Agora o clima de suspense característico do autor está mais presente. Pelo título até achei que minha filha ficaria com medo, mas mestre que é mestre não se engana e Neil Gaiman criou uma obra fantástica que surpreendentemente nos fez dar gargalhadas de chorar de rir! (tudo culpa da rainha da Melanésia). Lucy é uma menina sensível que escuta barulhos e percebe que os lobos estão dentro das paredes da casa, ela avisa à sua família que não acredita nela até que um dia acontece o impossível e os lobos saem de dentro das paredes. A família fica exilada no jardim e continuam suas vidas normalmente até que resolvem voltar para habitarem as paredes dessa vez. O final é surpreendente e as pessoas saem das paredes dessa vez assustando os lobos. A narrativa toda parece um sonho pois acontecem coisas extremamente estranhas que são tidas como normais e até divertidas. As ilustrações ressaltam o clima onírico da história.

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Como podem ver o universo do Neil Gaiman é tão rico e ele se mostra um artista tão versátil que não tem porque temer contar suas histórias destinadas ao público infantil, ele confere o suspense na medida certa e proporciona para os pequenos um mundo de fantasia emblemático e divertido. Estou ansiosa pelos próximos e pela fase infanto-juvenil 😀

Uma noite na praia – Elena Ferrante

img_3579Editora: Intrínseca

Tradutor: Marcello Lino

Edição: 1

Páginas:  40

Gênero: Ficção

Ano de lançamento: 2016

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Após ganhar um gatinho de presente do pai, Mati – dona de Celina e sua melhor amiga – fica tão fascinada que acaba esquecendo a boneca, que é a sua favorita. Deixada para trás na areia deserta e sem saber como voltar para casa, Celina vai enfrentar uma noite interminável, cheia de sustos e surpresas, além da companhia indesejada de um salva-vidas cruel e seu terrível ancinho. À luz das chamas de uma fogueira, a noite transforma-se numa aventura fantástica e assustadora que só termina ao nascer do sol.

 

 

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Minha filha trouxe a Moana para apresentar o livro 🙂

É com muito carinho que escrevo sobre este livro. Comprei-o para a minha filha pois é voltado para o público infantil, mas tive uma surpresa durante a nossa leitura conjunta ao descobrir que fiquei tão empolgada quanto ela com a história, afinal sou uma fã da autora e sabia que Elena Ferrante não me decepcionaria Realmente, como promete a editora Intríseca, é um livro que agrada tanto as crianças como os adultos.

Não sei se essa seria uma exceção pois para falar a verdade nesses 5 anos de leitura infantil, todas as noites na beira da cama de minha filha, a maioria das leituras me agradaram muito, difícil achar um livro infantil que não nos emocione, ou nos divirta ou traga alguma lição de moral sempre útil para nosso aperfeiçoamento. Muitas das vezes achamos nos livros infantil até mais profundidade do que em muitos livros “adultos” por aí…. rsss.

Uma noite na praia é um daqueles livros especiais. Mais uma vez Elena Ferrante nos coloca no lugar do personagem sentindo todas as suas aventuras e mazelas que nesse caso seria o abandono. Para o leitor da autora reconhecemos seu tema recorrente: a relação entre mãe e filha não idealizado, mas dessa vez ela o faz de maneira delicada de forma que a criança passe pela catarse sem se assustar muito.

Na visão de uma criança acredito que ela consiga sentir o abandono vivido pela boneca Celina, o ciúme do gato e o sentimento de ser substituída por outro “filho”. A boneca passa por aventuras que emergem a criança na leitura  e torna esse abandono ainda mais intenso pois, cadê a mãe para socorre-la dos perigos?

No meio de tanta aventura a autora encontra espaço para a poesia, é sublime a forma como ela coloca o amor nas palavras que estão dentro da boneca, palavras essas preciosas que são como um tesouro a ser roubado pelo salva-vidas cruel, Celina tenta manter suas palavras a todo custo, pois sabe que sem elas ela perderá a sua essência e tudo o que conhece no mundo. Em um momento muito emocionante a boneca se agarra à palavra ” mamãe” que está sendo fisgada de sua boca e essa é sua salvação.(Confesso que nessa hora brotou uma lágrima ). A Palavra é uma forma de libertação para a boneca.

Escondo no fundo da garganta todas as palavras que Mati me ensinou, que servem para as nossas brincadeiras (…)”

Com essas palavras, ela [Mati] falava e me fazia falar, fazia falarem os animais, as estrelas, as nuvens, os grãozinhos de areia, água do mar, os raios e os trovões, os guarda-sóis e as cadeiras, todas as coisas.”

Para quem é mãe ou pai vai reconhecer como esse trecho reflete o mundo infantil, nas nossas brincadeiras com nossos filhos damos voz para os bonecos, colocamos as palavras nas bocas deles e assim tudo ganha vida para a criança, o mundo se torna maravilhoso e quando já maiorzinha, a criança começa ela mesma a dar vida a tudo criando vozes para seus brinquedos.

No final, quando a boneca se vê livre dos perigos de passar uma noite na praia, o livro tem um  desfecho emocionante e feliz, a boneca é encontrada pelo gato e sua ” mãe” Mati não pregou o olho durante a noite chorando pela boneca perdida, o que faz a boneca se sentir amada e tira dela suas dúvidas se a mãe realmente a amava ou a teria abandonado de vez. Com mais uma lição de moral mostra também que o gato era seu amigo e não um ser que veio para tomar o seu lugar, demonstrando que não se pode julgar previamente uma situação sem antes saber o outro lado da história.

 

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A menina Mati e sua boneca Celina. Ilustrações belíssimas da Mara Cerri

O interessante para os leitores de Elena Ferrante é que ela usou um de seus livros, A filha perdida, como inspiração para criar Uma noite na praia. Naquele livro a história se passa em torno de uma família napolitana de férias na praia observada pela narradora e em determinado momento uma boneca é perdida trazendo grande desgosto para a criança sua dona.

Enfim, o livro é perfeito para crianças e adultos. Tem aventuras, tensões, muitas emoções e tudo escrito de forma leve e poética. É daqueles livros que vamos repetir por muitas e muitas noites na hora de dormir 🙂