O Alforje – Bahiyyih Nakhjavani

img_3623Editora: Tag – experiências literárias em parceria com Dublinense. 

Tradutor: Rubens Figueiredo 

Edição: 1

Gênero: Ficção

Páginas: 336

Ano da lançamento: 2018 

 

SINOPSE: Ao contrário do que se diz, o deserto é um território fértil. Ao menos para Bahiyyih Nakhjavani, que, a partir de uma trama complexa, faz convergir nas areias árabes um grupo de personagens que têm suas trajetórias costuradas por um misterioso alforje. Uma noiva que viaja para encontrar o futuro marido, um padre em peregrinação, um beduíno de alma livre e uma escrava falacha são alguns dos retratos que a autora pinta com maestria e profundidade. Ainda que tenham origens, crenças e desejos muito diferentes, todos os viajantes terão a vida transformada pelas escrituras sagradas.

 

Eu gostaria primeiramente de falar um pouco sobre a autora, pois sua vivência como imigrante iraniana foi de grande influência para a trama deste livro onde ela dialoga não só com o seu povo mas com todos os que já passaram pela experiência de serem exilados. Essa comunicação é muito sutil e só sentida quando nos colocamos no lugar da cada personagem para viver sob sua perspectiva, assim imaginamos como pode ser viver entre pessoas de concepções diferentes das suas.

Em entrevista Bahiyyih diz que se surpreendeu ao ver que, inconscientemente, inseriu no livro princípios da sua fé Bahá’i, uma religião monoteísta que defende a igualdade racial, cultural e a união espiritual de toda a humanidade onde os alicerces são a noção de continuidade, relatividade e natureza progressiva da verdade religiosa. Esses aspectos são facilmente identificados na trama pois, conforme vamos interagindo com os personagens, percebemos que a verdade existe para cada um de uma forma única e, ao trocarmos de capítulo e de personagem, pulamos para um outro ponto de vista e passamos a enxergar a verdade sob outra perspectiva. A impressão que fica é de que não existe verdade absoluta, outro princípio da fé Bahá’i.

A escrita da autora é divina, extremamente sensorial e com grande capacidade de imersão, conseguimos sentir a textura e a secura da areia do deserto em nossos lábios, os cheiros envolventes dos banhos da noiva, o pútrido odor do cadáver e os ventos cortantes na pele. Tudo narrado com um toque místico que nos remete aos contos de Sherazade em Mil e uma noites. 

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A narrativa se dá em terceira pessoa sob a perspectiva de cada um dos 9 personagens, todos vivendo um mesmo evento em um mesmo tempo. A delícia está na forma como a autora costura todos esses personagens em uma só trama com acontecimentos que, mesmo sendo trágicos, místicos ou amorosos, interligam a todos de forma poética.

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Lindas ilustrações! Não reparem na leitura noturna 😀

Quanto aos personagens, todos construídos de forma magistral, são praticamente palpáveis, em cada capítulo a autora explora a vida íntima de cada um, com suas vivências, medos, inseguranças, alegrias, amores, esperanças e os motivos que os levaram a atravessar o deserto. Literalmente estão todos em uma caravana, ou à sua espreita, fazendo uma travessia por uma estrada que liga Meca à Medina, muito usada pelos islâmicos em suas peregrinações. Mas a alusão que a autora faz vai muito mais além, a travessia no deserto pode ser vista também como uma forma de transcendência onde cada um, em sua peregrinação pessoal, está em busca de seus objetivos, nem sempre de fundo religioso, podendo ser também uma aspiração, um fim ao qual precisam chegar depois da árdua caminhada pelo deserto de grandes privações.

Cada um dos personagens tem suas formas de perceber a vida e de se comunicar com a sua verdade, seja através da própria tradição religiosa, de visões, de presságios, de sinais da natureza, de adoração entre outras… Durante todo o evento os personagens se encontram e se conectam de alguma forma. Em algum momento todos têm contato com o alforje e essa experiência os modifica de uma forma única com um desfecho surpreendente para cada personagem, alguns acessando uma sabedoria profunda, atingindo a iluminação, falecendo em transe espiritual, ou mudando seu estilo de vida.

Eu não queria revelar muito do que contém dentro do alforje para não dar spoiler, mas dou uma pequena dica através deste trecho de outro livro que estou lendo sobre a História do objeto Livro:

” A própria caligrafia era considerada uma arte elevada, até mesmo um teste de caráter: um antigo provérbio árabe proclama que ‘A pureza da escrita é a pureza da alma. ” Livro: uma história viva – Martyn Lyons – Editora Senac.

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Esse é o meu primeiro Kit do clube de leituras da TAG – experiências liteŕarias e não precisava de muitas palavras para demonstrar o quanto amei esse Kit não é? A caixinha vem sempre com um box contendo o livro do mês e uma revista literária de muita qualidade que nos proporciona a leitura de entrevistas com autores, tradutores e envolvidos com o assunto da obra em questão. Além de todo esse conteúdo recebemos um mimo diferente a cada mês. Clique no link para conhecer mais sobre a TAG

Dessa vez o mimo foi um delicioso aromatizador que deixou a experiência dessa leitura ainda mais sensorial. A edição é belíssima! Com ótima diagramação e lindas ilustrações. Além de extrema qualidade na escrita da autora, temos um mestre da tradução, Rubens Figueiredo trazendo para nós a harmonia dessa história em língua portuguesa. O curador do mês foi Alberto Manguel, outro grande nome na história da Literatura. Impossível esse livro ser mais perfeito! 

 

Breves considerações sobre cada personagem e trechos que amei

LADRÃO: Um beduíno de tribos do deserto, politeísta e panteísta. Se comunica com os sinais do deserto. O vento era sua religião e o deserto era tudo para ele. Lembrou-me a relação com o deserto dos cidadão de Arrakis no livro Duna de Frank Hebert.

” O deserto era sua lei: pura como uma folha virgem de papel branco , a liberdade inexplorada do deserto acenava para ele. Ali, conjecturar continuava a ser um direito de nascença , e a ausência de provas era indício suficiente da imortalidade. Aquelas areias em movimento admitiam interpretações infinitas. “

 

NOIVA: Zoroastra persa de nascença, sua família foi obrigada a se converter ao islamismo para manter as aparências. A voz mística da noiva são suas visões.

 

LÍDER: da tribo dos Wahhabitas, não acreditava em deus mas sim na força dos presságios, acreditava que o profeta era mais humano do que divino.

” Toda vez que acontecia algo que o fazia lembrar sua falta de poder, toda vez que no espanto de sua alma, ele se via recordando a multidão de mistérios que se esquivavam dele, os muitos enigmas que ele jamais conseguia entender, tocava o dedo na bolsinha de seda pendurada no pescoço. (…) As palavras não lidas ali dentro falavam com ele numa caligrafia sussurrante(…) Falavam com ele em espirais de perfume, rolos de cachos tingidos de hena e sutis sedas aderentes, que não o soltavam. Com amor infinito, murmuravam para ele lembrar que toda a criação, no tempo e no espaço, havia abrigado milhões que desfilaram por um breve tempo, de acordo com suas forças, como ele mesmo fez. Com meiga compaixão, lembravam a ele que todos aqueles milhões inumeráveis tinham, como ele, sem exceção, sido completamente esquecidos, juntamente com suas volúpias e seus poderes fúteis. E, com um ardor especial, murmuravam para ele não esquecer que todos aqueles, iguais a ele, todos aqueles milhões, e tudo na criação, era menos, muito menos do que aquilo que existe dentro da pupila do olho de uma formiga morta, em comparação com o Todo, que ele nunca poderia nomear, o Todo, que ele não iria jamais conhecer. “

 

A ESCRAVA: Uma escrava abissínia de origem judia, adorava a sua ama e amiga, a noiva, acima de tudo.

” O mistério dentro dela era imenso, bem como sua surpresa ao descobri-lo. Não foi propriamente seu pensamento que a levou a tal compreensão. Foi algo diferente do pensamento que a tornou de súbito transparente, com a verdade daquela imensidão que havia dentro dela. Imensa de perdão, venerável de saber, imperecível e eterna.”

 

CAMBISTA: Um indiano hindu. Levou muitas vidas diferentes para enganar a todos. A autora faz uma alusão interessante ao samsara com as diversas vidas que ele vestiu para enganar as pessoas.

 

O PEREGRINO: Budista e com traços do islamismo sunita, seguindo os passos de um monge está em busca do incriado para decifrar sua vida

” ‘ O incriado’, o peregrino recordou, ‘ não vai nem vem nem está parado. Ele é sem estabilidade, sem mudança, o eterno que nunca dá origem e nunca passa.”

 

O SACERDOTE: Um islâmico xiita um tanto radical. Odiava e temia as mulheres. Na infância uma professora abalou suas convicções religiosas ao demonstrar ideias inconformistas com o que pregava a sua religião.

“Nesse momento, o amor que ele sentiu pela falacha, que jazia ao seu lado como uma mariposa exaurida, era diferente de qualquer sensação ou experiência que ele tivesse conhecido até então. Correu sobre ele como ondas de um mar distante, que não tinha nome; inundou seu coração seco com a água de uma fonte que ele nunca imaginou possuir. “

 

DERVIXE: Ele queria ser um herói, bem visto em seu trabalho e admirado em sua família. Não transparece sua religião passando um ponto de vista mais secular.

 

O CADÁVER:

” Portanto, essa é nossa história, ponderou o Cadáver (…) Uma história de podridão delicada e de sutil decadência, que dia a dia desenrola seu carretel. Uma história de confiança, uma história de mudança, de desapego e vínculo, como o perfume do deserto, que perdura na memória de homens saturados de si mesmos. “

 

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Portanto, como podem perceber, eu amei essa leitura e com certeza voltarei a visitar esse deserto em alguma releitura. Imagino que seja um livro que agrada se não a todos, pelo menos a grande parte dos leitores.

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Androides sonham com ovelhas elétricas? – Philip K. Dick

img_3558Tradutor:  Ronaldo Bressane

Editora: Aleph

Edição: 1

Ano: 2017

Páginas: 336

Escrito em: 1968

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” Sou um filósofo ficcionista, não um escritor de romances; meus romances e contos são empregados como meios para formular minhas percepções. O centro da minha obra não é a arte, mas sim a verdade.” Philip K. Dick

Com essa citação de Philip K. Dick inicío a minha resenha de Androides sonham com ovelhas elétricas?Um dos livros mais famosos do autor que inspirou sua adaptação para o cinema Blade Runner em 1982 e que, em 2017 tivemos sua continuação Blade Runner 2049. 

Blade Runner de 1982 para quem não conhece poder apreciar partes do filme e principalmente essa trilha sonora composta por Vangelis. Uma das trilhas mais lindas da história do cinema ❤ 
(curiosidade: Quando eu tinha cerca de 13 anos escutava o CD do Vangelis e meditava com essas músicas, a isso, meu marido chamou loucura 😀 

Para uma experiência mais imersiva clique no áudio
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Antes das impressões, vamos nos situar com algumas considerações sobre o autor e uma breve sinopse.

Philip K. Dick é um dos autores mais ilustres não só para a ficção científica como para a produção literária como um todo. Infelizmente só posso dizer “foi” pois em vida o autor viveu em miséria e seu reconhecimento só veio após a morte, em 1982(pouco antes de estrear Blade Runner no cinema), tanto que hoje em dia existe um prêmio de ficção científica em nome dele. Dick escreveu mais de 40 romances e cerca de 130 contos, uma grande quantidade para quem viveu tão pouco. Dentre suas obras, várias foram base de inspiração para mais adaptações cinematográficas como Minority Report, Agentes do Destino, Total Recall, Screamers, entre vários filmes e a recente série da Amazon Prime Eletric Dreams.

” Dick acredita que a ficção científica é o campo ideal para a discussão das ideias puras.”  Rodrigo Fresán no prefácio do livro Androides sonham com ovelhas elétricas?

SINOPSE: Rick Deckard é um caçador de recompensas. Ao contrário da maioria da população que sobreviveu à guerra atômica, não emigrou para as colônias interplanetárias após a devastação da Terra, permanecendo numa San Francisco decadente, coberta pela poeira radioativa que dizimou inúmeras espécies de animais e plantas. Na tentativa de trazer algum alento e sentido à sua existência, Deckard busca melhorar seu padrão de vida até que finalmente consiga substituir sua ovelha de estimação elétrica por um animal verdadeiro; um sonho de consumo que vai além de sua condição financeira. Um novo trabalho parece ser o ponto de virada para Rick – perseguir seis androides fugitivos e aposentá-los. Mas suas convicções podem mudar quando percebe que a linha que separa o real do fabricado não é mais tão nítida como ele acreditava. Em ‘Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?’ Philip K. Dick cria uma atmosfera sombria e perturbadora para contar uma história impressionante, e, claro, abordar questões filosóficas profundas sobre a natureza da vida, da religião, da tecnologia e da própria condição humana.

O livro já começa abordando umas das questões mais complexas da humanidade, a insatisfação e busca pela felicidade, temas que, como veremos, vêm da influência do autor em suas leituras de filosofias e religiões orientais.

Um dos paradoxos exposto no livro é justamente na “não vida” ou o “vazio” dos humanos, como exemplo a depressão de Iran, esposa de Rick, enquanto a androide Rachel demonstra alegria e vontade de viver. Outra forma que o autor usou para antagonizar o vazio e o acúmulo foi inventando o termo “Embagulhação” usado para explicar  como os amontoados de lixo se multiplicam, significando a capacidade de as coisas criadas pelo homem tomarem o lugar dele. Enquanto isso o vazio ganha mais sentido e está presente em vários detalhes: no olhar dos androides, na paisagem de Mercer, no som surdo dos subúrbios abandonados, do corredor do prédio de Isidore.

Essa reflexão se estende até um patamar mais profundo, quando o autor coloca o ser humano como “maquinizado” e reificado enquanto os androides mais evoluídos começam a manifestar sentimentos de empatia, amor e medo da morte.

” Só que aí senti como isso era doentio, perceber a ausência de vida, não só no prédio, mas em tudo, e não reagir a nada, percebe? Não, acho que você não entende. É isso que passou a ser considerado uma indicação de doença mental, chamam-na de “ausência de afeto adequado”. Então, deixei o som desligado e fiquei testando o sintetizador de ânimo até que finalmente descobri um ajuste para desilusão. (…) Por isso eu programo esse sentimento duas vezes por mês; acho que é um tempo razoável para me sentir desiludida em relação a tudo …” – Iran, esposa de Rick.

No estudo de Steven Best e Douglas Kelner percebemos as sutilezas da trama quando analisam como Dick coloca uma visão futurista de Marx de um proletariado rebelde usando o  modelo de androide Nexus-6 que, ao adquirirem um alto nível de auto-reflexividade, repudiam seu status de escravo, rebelando-se e fugindo para a Terra onde podem viver uma vida livre.

Ao mesmo tempo Dick revela um retrato de uma sociedade extremamente consumista, que não polpa esforços para adquirir animais a preços altíssimos em busca de status. O fetichismo das mercadorias que extrapola todos os limites fica claro quando Rick fica endividado comprando um animal orgânico, já que a extinção da grande maioria dos animais, esses são raríssimos e de difícil aquisição, agora são os indicadores de status de uma pessoa. Rick até meados do livro só tem uma ovelha elétrica, uma forma de enganar a sociedade, mas não se sente satisfeito até conseguir comprar um animal de verdade.

Durante sua caçada aos seis androides, o protagonista começa a sentir empatia por esses seres se questionando sobre o que realmente define um ser humano e o que o diferencia de um androide, essa questão existencialista é uma constante na vida de Rick que agora começa a duvidar também de suas origens quando conhece outro caçador de recompensas, Phil, supostamente um androide com memórias humanas implantadas em sua programação, essa revelação a Rick acaba com todas as suas convicções de ser um humano e trás para ele grande angústia quanto à natureza do seu trabalho. Ao contrário do que passa no filme, o livro não explora tanto a paixão entre o protagonista e a androide Rachel, um recurso obviamente que funcionou muito bem no cinema para atrair público ( e que ficou muito bom no filme ao meu ver) no livro ele sentiu atração sexual e empatia por ela no máximo.

” _ Um androide não liga para o que acontece a outro androide. Esse é um dos indícios que procuramos.

_ Nesse caso, você deve ser um androide – disse a srta. Luft.

Isso o paralisou; ele olhou fixamente para ela, que continuou…”

Através dessa insatisfação de Rick com sua tarefa de matar androides nos deparamos com mais uma genialidade do autor, o Mercerismo, uma religião criada para que os humanos restantes na Terra pudessem se conectar com todos os outros e com um “ser maior” através de uma máquina onde todos os egos se fundem passando por um transe espiritual que proporciona a sensação de completude transitória.

Em um episódio onde Rick Deckard se encontra com Mercer ele questiona sua tarefa de matar androides e o suposto messias assim o responde:

” _ Você será requisitado a fazer coisas erradas não importa para onde vá – disse o velho – É a condição básica da vida, ser obrigado a violar a própria identidade. Em algum momento, toda criatura vivente deve fazer isso.”

O trecho demonstra clara influência do Bhagavad-Gita na conversa entre Krishna e Arjuna quando este não quer lutar na guerra e Krishna o relembra quanto à necessidade de cumprir com sua missão, mesmo que o desagrade.  Em entrevista Dick afirma que leu bastante livros de filosofia oriental, de budismo e hinduísmo e afirma tais influências em suas obras.

A edição especial de 50 anos da editora Aleph é primorosa, além de ótima diagramação, arte da capa e ilustrações perfeitas, essa edição contém vários extras inéditos como uma carta de Dick aos produtores do filme Blade Runner, a última entrevista concedida pelo autor, um posfácio pelo tradutor desse edição Ronaldo Bressane e um estudo por Steven Best e Douglas Kelner, portanto temos um ótimo material de apoio.

Quanto à escrita posso dizer que a narrativa é fluida, o autor consegue nos passar toda a complexidade do tema de forma clara, sem prolixidade, tanto que o livro é curto. Os capítulos revezam os pontos de vista entre Rick Deckard e Isidore, o que também trás leveza para a leitura.

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A ovelha da Dra. Brinquedos veio nos bridar com sua ilustre presença

Assim como Philip K Dick nomeou seu livro com um ponto de interrrogação, concluo a minha resenha com outro questionamento. No filme não vemos a ovelha elétrica nem qualquer menção à importância dos animais, mas é o cerne de maior valor e por isso deu nome ao livro.  Se humanos na Terra só conseguem ter ovelhas elétricas e sonham com as reais, será que androides em Marte tem ovelhas reais e sonham com as elétricas? A vida de um androide estaria tomando mais sentido que uma vida humana? O objeto criado está substituindo o criador? Seria Rick Deckard um androide ou um humano?

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“Meu grande tema é: quem é humano ou quem apenas finge ser humano? A menos que nós possamos estar individual e coletivamente certos da resposta a essa pergunta, enfrentamos o que é, no meu ponto de vista, o problema mais grave possível. ” Philip K. Dick

Encerro essa jornada na cabeça de Philip K. Dick querendo ler todas as suas obras. E vocês já leram Andoides sonham com ovelhas elétricas? ou algum outro livro do autor?  Podem me indicar os próximos? Comentem abaixo 🙂

TAG: Quem sou eu em 5 livros

A Natasha do canal Redemunhando criou uma Tag muito interessante que se baseia na seguinte pergunta: Quais livros você indicaria para uma pessoa caso esta quisesse te conhecer melhor? O propósito da tag é responder com 5 livros que mais se aproximem da definição de quem você é, por mais que seja difícil nos definir e, ainda mais em 5 livros, vou tentar responder.

TAG: Quem sou em em 5 livros? 

 

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Hashtag31 –  A viagem de Théo – Catherine Clément

Neste livro o leitor faz uma viagem junto com o protagonista Théo e sua avó para vários países onde visitam os principais centros sagrados e religiosos para conhecerem e vivenciarem cada cultura.

Esse é um queridinho da minha estante. Eu fiquei em dúvida entre ele e O mundo de Sofia porque ambos marcaram o início do meu interesse em conhecer as várias religiões e filosofias espalhadas por esse mundo, li os dois na adolescência, escolhi A viagem de Théo porque o estudo sobre as religiões acabou predominando mais na minha vida que o estudo da Filosofia.

Na adolescência eu já nutria esse interesse em saber o porquê das crenças, dos ritos e mitologias diferentes entre nós, seres da mesma raça, e até hoje esse é um assunto que me desperta grande paixão: como surgiram as religiões e os fundamentos históricos e espirituais de cada povo para criarem seus mitos.

Hashtag2  2  –  Um dia – David Nicholls

Puro love por esse livro ❤

Mais uma escolha difícil pois, em matéria de amor, fico muito em dúvida entre ele e O penúltimo sonho da Ângela Becerra, os dois livros me despertam fortes emoções por me levarem diretamente para dentro do meu mundo mais íntimo e romântico, raras vezes despertado…

Escolhi Um dia por motivos de: Como resistir à Emma? A Emma sou eu, impossível eu me identificar mais com uma protagonista. Saudades de viver ela novamente!

 

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Hashtag5  3  – Filosofias da Índia – Heinrich Zimmer

Além de ser mais um voltado para o estudo das religiões, nesse caso às filosofias das religiões nascidas na Índia, este livro eu escolhi também por representar meu maior interesse nas religiões orientais, principalmente os sistemas filosóficos da Índia como o Budismo e hinduísmo, filosofias das quais mais me identifico. O livro é um tratado de filosofia da religião e consegue deixar mais claro as diferenças entre os pensamentos ocidental e oriental.

Hashtag1  4  –  Duna – Frank Hebert (toda a série)

No meu modo de ver Duna é um livro que não precisaria de explicação ou introdução, deveria ser leitura obrigatória para todos, mas vamos lá: É meu favorito da vida, dessa e das próximas se houverem. Coracao11

Escolhi Duna por diversos motivos, primeiramente porque reflete muito a minha visão de mundo, minhas concepções sobre política, sociedade, cultura, religião, filosofia de vida, ecologia. Além desse que é pra mim o principal fator, é uma história escrita quase beirando à perfeição com uma trama envolvente do início ao fim e um universo super interessante. É um livro completo! Um clássico da ficção científica!

O trailer é do filme de 1984 que já está um pouco ultrapassado em efeitos. Esperando muito o novo filme que será lançado em breve. 

Hashtag4  5  –  O guia do mochileiro das galáxias – Douglas Adams ( a trilogia de cinco)

Como poderia eu fazer uma lista sem colocar este que é o livro que sempre está na minha vida, sendo em frase de status de whatsapp, em descrição de bio, em nome de blogues passados, em tatuagens futuras…não, a minha nerdice não me deixa esquecer do guia.

Mais um livro de ficção científica pro rol ( e como não né?) Além do universo mais improvável que existe, a trama mais esquisita que você já viu na vida, esse livro é fantástico! Com a ironia e humor na medida certa, um livro para se divertir muito, mas também refletir e trazer questionamentos sobre esse mundo aqui, praticamente inofensivo. Uma sátira que faria Voltaire ser fã de Douglas Adams 😀

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Bom, acho que consegui cumprir com o objetivo da TAG, a intenção não foi apresentar os livros em detalhes, mas explicar um pouco melhor o porquê de cada escolha que fiz que refletem um pouco sobre mim. Espero que gostem de terem me conhecido um pouquinho, comentem caso tenham se identificado com algum ou respondam com suas escolhas 🙂